
Muitos treinadores usam sua experiência profissional para ajudar seu atleta a correr da forma mais adequada possível. Porém, na grande maioria das vezes, essa análise é feita a olho nu, de forma qualitativa. A análise biomecânica da corrida pode ser usada como uma ferramenta auxiliar para o treinador, o médico ou o próprio corredor responderem as perguntas acima, porém de uma maneira mais precisa, de forma quantitativa.
Mas para que serve a avaliação da biomecânica da corrida? Ela busca quantificar o comportamento de todas as articulações durante a corrida, com o intuito de entender e prevenir as lesões. Por meio de câmeras que operam com raios infravermelhos e marcadores acoplados em pontos anatômicos do corpo, os ângulos articulares dos membros inferiores e da pelve são mensurados, assim como o deslocamento do centro de massa corporal e a movimentação da coluna lombar durante a corrida.
O exame também classifica a pisada como neutra, pronada ou supinada, através da cinemática da parte de trás do pé e avalia a distribuição da pressão na sola dos pés, por meio da baropodometria. Dessa forma, observamos se há sobrecarga ou diferenças nas pressões plantares entre as várias regiões da sola dos pés.
Esses valores, comparados com os de referência, auxiliam na identificação de desequilíbrios musculoesqueléticos nos padrões da corrida e suas causas. Isso torna a avaliação útil para uma prescrição mais adequada e específica do treinamento, buscando a biomecânica ideal durante a corrida para aquela pessoa.
Uma dica importante: essa avaliação deveria ser feita antes de ocorrerem lesões, como forma de prevenção. Infelizmente a maioria dos corredores realiza a avaliação biomecânica já com a lesão instalada. Possivelmente, se fosse realizada antes, esse incômodo ou inflamação poderia ser evitado.